Por João Paulo da SilvaUm cochilinho
André Luis é um rapaz muito atarefado. Para ele, tempo é um bicho. Trabalho, estudos, reuniões, atividades políticas. Enfim, um sujeito que não possui nem horário para dormir. E é exatamente sobre isso que versa este “causo”. Nosso herói voltava pra casa depois de mais um dia cheio. Subiu no ônibus já convicto: “Onde eu encostar, eu durmo”. E assim o fez. Deu a sorte de arrumar uma cadeira vaga e sentou-se. Ao lado, estava uma senhora grande e gorda. Ele, magrinho, não teve dificuldades de se acomodar. Sucedeu-se, então, o fato. Em questão de segundos, nosso “cavaleiro da triste figura” estava cochilando. Até aí tudo normal, não fosse pelo vexame ocorrido. Por causa do balançar do ônibus, André constantemente tombava sua cabeça sobre os enormes peitos da mulher. A cada cochilada, um constrangimento.
- Opa. Desculpe, senhora. É que estou com muito sono. – dizia depois de bater a cabeça nos peitos da madame ao lado.
- Está tudo bem, meu filho. Não foi nada.
Esta cena se repetiu pelo menos umas cinco vezes. E a única coisa que mudava era o grau de constrangimento. Até que...
Compadecida pela sonolência de nosso herói, a mulher ao lado realizou um dos mais belos gestos humanos que já vi. Após nova cochilada, a grande senhora gorda foi ao socorro de André.
- Ô meu filhinho... Tá com sono mesmo, né?
- A senhora não faz idéia.
- Venha aqui, chegue. Vou resolver seu problema. Deite sua cabecinha aqui no meu peito, vá. Não precisa ficar com vergonha. Pode tirar um cochilinho no peito da titia.
A cena foi, de fato, comovente. Outro dia conversei com o André e ele me confessou:
- Olha, foi o melhor cochilo que tirei na minha vida. Tão acolhedor, sabe? Uma fofinha aquela senhora.
Monômios e polinômios
Estamos numa escola. O professor de matemática acabou de entrar na sala de aula. Espera o silêncio da turma e começa a falar:
- Bem, meus queridos, hoje nós vamos conversar sobre um conteúdo muito importante para o estudo da matemática. Falaremos sobre os monômios e os polinômios. Alguém aqui sabe o que é um monômio?
- Eu sei, professor! – disse o Fernandinho, o gaiato da sala.
- E o que é?
- Monômio é Fernando! – respondeu o infeliz.
“O futuro de um país está na educação”, dizem por aí.
Aguinha com açúcar
Família reunida na sala. Atentos, todos os membros do clã assistem ao Jornal Nacional. Pai, mãe, filhos, avós. Destaque para a vovó Nêna. Aos 98 anos, aposentada – um verdadeiro milagre. Não econômico, claro – continua ali, firme. Mas qualquer tosse da vovó é motivo para alerta na família. Pode ser a última.
A crise econômica está deixando os investidores de cabelo em pé. A insegurança toma conta do mercado. Parece que dessa vez o negócio é sério mesmo. A reportagem na TV fala sobre perdas bilionárias dos bancos, empresas fechando, instituições de crédito falindo. Se referindo ao mercado, o repórter usa termos que deixam a vovó Nêna intrigada com toda essa confusão. “O mercado está nervoso, parece ter acordado amedrontado com a desvalorização das ações. O clima é de preocupação”.
- Isso ainda vai dar merda. – comenta o pai.
Vovó Nêna, sagaz como um felino, dispara:
- Dá um chazinho de camomila, um suco de maracujá, uma aguinha com açúcar. Num instante ele fica calminho, calminho.
Depois, tossiu seco e forte. Mau sinal.

