domingo, 10 de maio de 2009

Pequenos flagras da vida de todos nós X

Por João Paulo da Silva

Braços

À noite, passando por uma rua deserta, um grupo de estudantes voltava pra casa. Por andar devagar, um deles acabou se afastando um pouco do restante. Como o bando vinha numa conversa animada, não notou que um dos rapazes ia ficando para trás.

Algum tempo depois, o grupo sente falta dele. Ao se virar, a caravana avista o rapaz a uma distância considerável. Ele, que era negro, estava branco. Logo todos se aproximaram para saber o que acontecera.
- O que houve, cara?!
- Fui assaltado! Levou meu celular. – contou ele, muito nervoso.
- Assaltado?! Mas como? – perguntaram todos.
- Um cara chegou por trás de mim...
- Ui!! – alguém do grupo suspirou.
- Peraí, porra! É sério. O cara foi assaltado. Fala. – disse o Erivaldo.
- Um cara chegou por trás de mim. Passou o braço pelo meu pescoço, encostou o cano do revólver nas minhas costas e enfiou a mão no meu bolso pra pegar o celular. E disse que se eu fizesse qualquer coisa ele atirava.
- Peraí, peraí, peraí. Você disse que o cara fez o quê?! Deixa ver se eu entendi. O cara te deu uma gravata, encostou a arma nas tuas costas e enfiou a mão no teu bolso?
- É. Foi isso. – confirmou o rapaz assaltado.
- E quantos braços tinha esse assaltante, pelo amor de Deus?! Três?! – estranhou o Erivaldo.
Nesse momento, uma forte dúvida se abateu sobre o grupo. Alguma coisa não estava fazendo sentido naquela história.
- Mas não é possível. Pra fazer tudo isso ao mesmo tempo, o assaltante teria que ter três braços. Você tem certeza do que aconteceu?
- Tenho sim. Foi exatamente isso. – insistiu o assaltado.
- E como diabos o bandido fez toda essa ação? – o Erivaldo não se conformava.
- E eu é que sei! Só sei que o cara levou meu celular!
- Calma aí, pessoal. Vamos analisar friamente. – ponderou o Alex. – Há três possíveis explicações, mas apenas uma pode ser a verdadeira. Primeira: nosso amigo aqui está mentindo, mas ele não teria razões para mentir. Então está descartada. Segunda: o assaltante realmente tinha três braços, o que seria irreal e por si só uma mentira. Resta apenas a terceira. Vai ver que...
- Vai ver o quê?! Fala logo! – exigiu o grupo todo.
- Vai ver que esse terceiro braço não era exatamente um braço. Nem o cano era exatamente de um revólver. Bom, essa é explicação mais plausível.
Fez-se um silêncio constrangedor. Aí o Erivaldo falou:
- Isso só piora as coisas. Parece que agora a dúvida mudou.
- E qual é a dúvida então? – quis saber o Alex.
- Dadas as proporções avantajadas do caso, agora precisamos saber se assaltante era um homem ou jumento.
- Uiii! – alguém suspirou de novo. Dessa vez, mais profundo.


Coronel

Os nomes das pessoas envolvidas nesta história serão preservados por motivos de segurança. No caso, a minha segurança. Não a deles.
Banheiro masculino do prédio da reitoria da Universidade Federal de Alagoas. Um estudante baixinho e negro entra para fazer xixi. Posiciona-se em frente ao mictório e começa a urinar. Neste momento, entra no banheiro um conhecido pró-reitor da universidade. Coloca-se ao lado do estudante, também para mijar. Não demora muito e o pró-reitor começa a olhar, com o canto do olho, para o membro fálico do referido aluno. Dá aquela olhadinha, depois desvia o olhar. Espia de novo, e para. Fica nessa durante todo o xixi.
Quando terminam de urinar, vão os dois até a pia para lavar as mãos. Aí o pró-reitor põe a mão no ombro do estudante e, categórico e enfático, diz:
- Coronel...

7 comentários:

pedro disse...

Justifique pq foi ruim, agora vc opina e não comenta...bundão!!!!
O texto é bom, gostei muito, agora se tem uns caras que não entendem...fazer o q?!

Hitallo disse...

JP, conheço os personagens e vou fazer chatagem. Vou pedir dois livros que há muito estou querendo da editora sandman (ésse o nome da editora?. Ou você me passa esses livros ou coloco o nome dos dois nesse blog.

Estêvão dos Anjos disse...

Graaaaaaaaande Forrest.João e suas histórias, muito engraçadas por sinal!

Segredos da Luz disse...

Gosteiii João!
Como sempre suas histórias muito divertidas :))

Natália disse...

Cronista ousado. Num tem medo de morrer ñ?! Vai que tb te aparece um sujeito de três braços (prefiro pensar que ele era ET, que, portanto, eram braços mesmo)e te deixa roxo. Já até imagino o que ele diria na saída: Coronellll, kkkk!

Paulinha Felix disse...

Muito bom, muito bom!!!

Adoro essa série dos flagras!

=**

Bruno MGR disse...

Mto bom, João!
Sobre os personagens, eu só imagino quem é pró-reitor, hehehehe