domingo, 21 de junho de 2009

Pequenos flagras da vida de todos nós XII

Por João Paulo da Silva

Uma verdade

Quando reencontramos alguém que não víamos há muito tempo, costumamos dizer: “Rapaz, você andou sumido”, “se escafedeu?”, “pensei que tinha virado pó”. Entretanto, a bagunça é tanta na república das bananas que as pessoas resolveram inovar. Semana passada, numa mesa de bar em Natal, flagrei uma expressão que pode virar moda.
Ao lado da minha mesa, havia um homem tomando sua cervejinha. De repente, ele se levantou todo efusivo para falar com um sujeito que, provavelmente, não via há tempos. Indo ao seu encontro, ele disparou:
- Rapaz, você sumiu hein?! A gente agora tá que nem político e cadeia.
- Por quê?
- Onde um está o outro não aparece.
Tá aí. Uma das poucas verdades que ainda se pode ouvir.

Peludo

Uma sala de aula em alguma parte deste país. O professor, já sem paciência, não consegue controlar a turma. O barulho é insuportável e ele está prestes a explodir num acesso de fúria. Tenta manter a calma. Sabe que é um educador e que não pode perder as estribeiras. Se disser qualquer coisa impensada, poderá até criar um problema maior. Porém, ele é um ser humano. Pior: é um professor. E só por isso já merece nosso perdão.
Depois de ameaçar reprovar todo mundo, ele consegue um filete de silêncio. Está tenso. É praticamente um barril de pólvora, precisando apenas de uma centelha. E ela vem em forma de aluno. Uma menina, olhando para os braços peludos do professor, inocentemente diz:
- Professor, como o senhor é peludo!
Ele não se segura, deixando escapar a grosseria.
- Ah é, querida?! Você me acha peludo?!
- Acho.
- Pois você não me viu pelado!

Pelo contrário

Recebo outra história do nosso admirável professor intolerante.
O ilustre mestre, criador da “Pedagogia da Jeguice”, estava corrigindo algumas redações em seu birô quando se deparou com uma extravagante barbaridade.
- Alfredo, faça o favor de se aproximar. – pediu.
- Pois não, professor.
- Leia a sua redação em voz alta, por favor.
- Mas... é que... eu...
- Não discuta, sua besta! Faça o que eu estou mandando.
E o Alfredo se danou a ler o próprio texto. Quando estava quase no fim de sua redação, sem suspeitar de nada, ele leu a frase que havia despertado a fúria do mestre. Era a seguinte:
- A violência não está diminuindo em nosso país. Muito pelo contrário, ela só aumenta.
Aí o professor interrompeu:
- Pare, criatura! Você por acaso sabe o que quer dizer “muito pelo contrário”?! Sabe, sua anta?! “Muito pelo contrário” é cabelo na bunda, rapaz! Que jeguice, meu Deus. Que jeguice.

7 comentários:

Chuchu disse...

Um post pedagógico esse, meu caro. Dividido entre as crônicas escolares de Jô Soares e a admiração de Paulo Freire!

Anderson Santos disse...

"A gente agora tá que nem político e cadeia" - sensacional!!!!

Não há dúvidas quem é o professor: "braços cabeludos"!

Janine disse...

"muito pelo contrário..." juro que naum sabia dessa! kkkkkkkkkkkkkkk

A do professor peludo é triste, imagino a cara da figura quando ouviu a resposta!

bravíssimo meu caro! me proporcionou muitas gargalhadas

Danuxa disse...

sem graça, joão paulo, sem graça.

Arthur - ABAKAXI - disse...

"A gente agora tá que nem político e cadeia" kkkkkkkkkkkkkkkk gostei!! Cade vc? da uma passada la no colegio rpz.. ta fazendo falta :s abraço

Bruno MGR disse...

Esse seu professor que "ninguém" sabe quem é, caso sério!

Amanda Gurgel disse...

kkkkkkkkkkkk menino! vc tem que deixar uma tarja de indicaçõ de conteudo não recomendado para leitura em locais públicos: paguei o maior mico c minha gargalhada estridente no meio da adolescentada! Bjo!