domingo, 11 de novembro de 2012

Amadores

Por João Paulo da Silva

Aconteceu um dia desses em Mossoró, no interior do Rio Grande do Norte. Eu tinha viajado a trabalho, como de costume. Talvez você não saiba, mas sou jornalista, embora isso não queira dizer muita coisa. Bom, era noite. E eu tinha acabado de fechar algumas matérias para o jornal. Estava cansado. Precisava relaxar. Foi aí que resolvi dar um pulo no bar da esquina pra tomar uma cerveja e arejar um pouco as ideias. Mas não pretendia demorar muito. Afinal, queria voltar a tempo para ver a minha novela das nove. Por isso, pedi apenas uma gelada e um pequeno aperitivo. Iscas de peixe. Adoro iscas de peixe, ainda mais com um limãozinho por cima. Enfim, eu estava querendo aliviar as tensões. Ficar tranquilo. Nada de estresse. Mas a vida é dura e às vezes o pastel vem estragado.

domingo, 4 de novembro de 2012

“Conversas” com Deus...

Por João Paulo da Silva

Reclamam do meu ateísmo. Sem razão. Ninguém pode me acusar de não ter tentado falar com Deus. Durante muito tempo, busquei manter algum tipo de comunicação. Insisti dia e noite. Nunca houve resposta. Nem mesmo um sinal de fumaça. Ou até, quem sabe, uma imagem no fundo da xícara de café. Se existisse, ele mesmo seria testemunha do meu esforço para encontrar um canal. Bom, de todo modo, transcrevo agora alguns dos momentos em que tentei estabelecer uma conversa com Deus. Em vão. E olha que eu aceitaria um retorno ainda que fosse da assessoria, hein!

domingo, 14 de outubro de 2012

As lamúrias de um careca

Por João Paulo da Silva

Diante do espelho, observo com dolorosa tristeza a enorme vaga que a calvície deixou em meu cocuruto. É de dilacerar o coração, confesso. Constatar que esta minha superfície nua já fora em outros tempos uma área de vasta cabeleira é realmente pavoroso. Perder os cabelos é como ser desmembrado, quase como perder um órgão vital. Não creio que esteja cometendo exageros. Os que sofrem do mesmo infortúnio sabem do que estou falando. Ficar careca é angustiante!

domingo, 23 de setembro de 2012

O apartamento


Por João Paulo da Silva

Ele passava por ali todos os dias. Desde que ela fora embora, aquilo se tornara uma constante em sua vida. Era parte de seus dias e noites. Uma necessidade inabalável, como comprar o pão todas as manhãs ou tomar um banho todas as noites, mais para limpar a alma do que o corpo. Ficava ali, em frente ao antigo prédio dela, com os olhos presos à janela do apartamento. Esperava um sinal qualquer, um aceno, uma lâmpada acesa. Qualquer coisa que lhe permitisse compreender que podia subir, tocar a campainha, entrar no apartamento e beijar-lhe a boca pela primeira vez. Mas não. Não haveria luz acesa, nem aceno, nem qualquer tipo de sinal. Há meses ela não vivia mais ali.