
Não há nada de tão surpreendente na atual crise política do país. São novos escândalos, mas velhas maracutaias. Talvez com uma diferença: agora os bate-bocas estão cada vez melhores e mais emocionantes. Intrigas, revelações sórdidas, mentiras, traições. Assistimos pelos noticiários a um verdadeiro reality show. O único problema é que a gente não pode eliminar ninguém pelo telefone.
As recentes cenas de xingamentos envolvendo alguns senadores, como Renan Calheiros, Tasso Jereissati, Pedro Simon, e Fernando Collor, são expressões da existência de uma crise do cobertor curto na política nacional. Se cobre a cabeça, descobre os pés. Se cobre os pés, descobre a cabeça. Não há como esconder a sujeira.
A desgraça, porém, é que neste tipo de regime a corrupção é irmã da impunidade. Quer dizer, continua valendo o nepotismo. Tudo em família. No Brasil, a Justiça não faz o menor esforço para disfarçar sua cumplicidade. Ninguém é processado, representações são arquivadas e quanto maior é o número de provas, menor é a chance de se provar alguma coisa.
Atualmente o símbolo das maracutais é José Sarney, um verdadeiro obelisco da corrupção nacional e um estandarte do conservadorismo. Tão antigo no cenário político que até poderia ser chamado de “Corruptossauro Rex”. O sujeito esteve, literalmente, em todas. Foi da Arena durante a ditadura, passou pela redemocratização, foi presidente da república, senador e presidente do Senado. Sua bandeira sempre foi a da conveniência. Sarney é tão imoral quanto o próprio bigode.
A crise do Senado é a paisagem de um jogo palaciano. De olho nas eleições de 2010, Lula não quer ver José Sarney fora do troninho, pois precisa do apoio do PMDB. O PSDB e o DEM fazem uma pequena algazarra para desgastar o governo, mas não querem a cabeça de ninguém para também não perderem as suas. Enfim, o imbróglio segue sem uma definição, ao melhor estilo “deixa como tá pra ver como é que fica”.
Em 2000, após uma vitória do Vasco, Romário soltou uma de suas frases antológicas, referindo-se a Eurico Miranda, a ele próprio e ao desafeto Edmundo. “Agora a corte está completa. O rei, o príncipe e o bobo”. No Brasil também existe uma corte sendo montada, na qual Lula é o rei e Sarney é o príncipe. E, neste momento, os dois estão prestes a escolher o bobo.
Hora de fazer alguma coisa para que não sejamos nós.
7 comentários:
Olha que nós sim!
Realmente as discussões são muito engraçadas. Vossa Excelência é isso, vossa excelência é aquilo. Claro que sem quebrar o decoro.
E Renan e Tasso discutindo par asaber que era o maior coronel? Só podemos rir mesmo
Já fiz alguns comentários em certas passagens que ficaram ótimas. mas o final ficou excelente, além de ser um ótimo texto, esclarecedor sobre os meandros e os malandros de nossa política. MUITO FODA, PARABENS
Parabéns João, ficou muito bom! =*
mto foda o texto
aquele senado é uma piada
de mal gosto
porra, gostei, joão! :}
Esse meu cronista predileto tá se superando, que bom!
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