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terça-feira, 9 de julho de 2013

Explicações...

Por João Paulo da Silva

- E agora no nosso programa “Alô, Seu Otário!” a gente conversa ao vivo com o prefeito Armando Cilada. Ele vai falar um pouco sobre as providências que estão sendo tomadas pela Prefeitura para resolver os principais problemas da cidade. Boa tarde, prefeito. Muito obrigado por aceitar nosso convite para dar alguns esclarecimentos à população.
- Boa tarde a você, Rogenildo, e a todos os telespectadores do seu programa. Eu é que agradeço o espaço para mostrar o trabalho que estamos desenvolvendo.
(...)

terça-feira, 2 de julho de 2013

Entreouvidos da Copa

Por João Paulo da Silva

Dois amigos, num bar, após a final da Copa das Confederações.

- E essa final da Copa, hein?
- O que é que tem?
- Sei não...
- Sabe não o quê?
- Muito estranha.
- Estranha por quê?
- Como 'por quê'? Você estava do meu lado. Você viu o jogo.
- Vi sim. A seleção deu uma surra na Espanha. Uma vitória espetacular. Três a zero.
- Pois é. É isso que é estranho. 
(...)

domingo, 2 de junho de 2013

Pobre Yurinho

Por João Paulo da Silva

Quando era criança, lá pelos doze anos, eu costumava jogar bola com meu irmão no terraço da nossa casa. Ficávamos horas brincando de chute ao gol. Como não tínhamos autorização para jogar na rua, aquela acabava sendo a nossa diversão. Mas a gente até que gostava. Só não gostávamos mesmo era do Yurinho, o vizinho da frente. Ô moleque chato.

Ele sempre aparecia no portão lá de casa, pedindo pra jogar com a gente. Ficava um tempão implorando e enchendo o saco. Foram poucas as vezes em que permitimos. Eu e meu irmão tínhamos um motivo para não deixá-lo jogar. Qualquer coisinha o Yurinho chorava. Se levava um frango, chorava. Se perdia um pênalti, chorava. Se tomava uma bolada mais forte, chorava. E o pior: saía correndo e gritando que a gente tinha batido nele. Quer dizer, além de frouxo, o Yurinho também era mau-caráter.

domingo, 12 de maio de 2013

Superstições

Por João Paulo da Silva

A mãe do Rodrigo era supersticiosa, cheia dessas crendices populares que habitam o imaginário de muita gente. Aí já viu, né? Qualquer coisinha era motivo para um “Deus nos acuda”, literalmente. O pobre do garoto fora criado em meio a um mundo que parecia ser governado por forças ocultas e implacáveis. Era como se determinadas ações acarretassem, inexplicavelmente, consequências irremediáveis. “Pisar em rabo de gato atrai malefícios”, “deixar tesoura aberta por muito tempo dá azar”, “coruja que crocita em cima da casa, à noite, é sinal de morte na família”. Isso só para ficar em alguns exemplos. Mas a mãe do Rodrigo não mencionava apenas superstições ruins. Por vezes, quando o filho tinha soluços, ela aconselhava:
- Põe um palito de fósforo atrás da orelha que isso passa, menino!

domingo, 24 de março de 2013

Coisas do sexo

Por João Paulo da Silva

Tem um versinho cômico do Luis Fernando Veríssimo que diz: “O homem não é o único animal que faz sexo, mas é o único que precisa de manual de instrução.”. Essa é uma daquelas verdades incômodas. Daquelas que nos deixam um pouco envergonhados enquanto espécie. Ninguém precisa, por exemplo, dizer a um leão ou a um macaco como é que se faz a “coisa”. O bicho vai lá e faz, instintivamente. Não pergunta aos amigos, não consulta o Kama Sutra, nem pesquisa na internet. Com a gente é mais complicado. Tem que aprender todos os dias. Do contrário, não faz bem feito. É a incessante busca pelo know-how. É isso.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Feliz ano novo!

Por João Paulo da Silva

Na beira do mar, o Roberval segurava sua tacinha de plástico cheia de vinho espumante barato. Vestido de branco, assim como milhares de tantas outras pessoas, ele aguardava eufórico a queima de fogos e a chegada do ano novo. No peito, aquele velho e conhecido sentimento: “Porra, o próximo ano tem que ser melhor, né?! Esse foi de lascar.”. 

E o Roberval tinha razão. O ano não fora nada bom. Cheio de corrupção, desastres naturais, demissões, mortes. Uma enxurrada de tragédias individuais e coletivas, muitas das quais ele mesmo começou a recordar naquele momento, enquanto esperava o início da contagem regressiva.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Broxadas 3

Por João Paulo da Silva

Isso nunca me aconteceu antes.”. Mentira. Já aconteceu, sim. É o clichê de todo broxa. Todo homem que costuma broxar diz essa frase quando falha. É como se ele quisesse se redimir do próprio fracasso apelando para a indulgência tácita do primeiro erro. Mas o que o broxa ignora é a perspicácia da mulher. A mulher odeia desonestidade. Ela sente o cheiro da mentira no ar. Talvez não exista nada mais broxante para uma mulher do que um homem mentiroso. Ela quer cumplicidade, e não um contador de vantagem. Por isso, meu amigo, se broxou, fale a verdade. É melhor abrir o jogo. Dizer que ficou ansioso; que ela é muito linda; que você esperou tanto por aquele momento e que acabou ficando um pouco tenso. Ela vai entender. Mulheres são compreensivas com a verdade. Posso até apostar que ela irá procurar fazer você relaxar, vai afagar seus cabelos, chamar você de fofo e sussurrar pequenas safadezas no seu ouvido, até a dita (dura) comparecer.

domingo, 25 de novembro de 2012

Broxadas 2

Por João Paulo da Silva

Quase todo mundo já broxou. E quem ainda não broxou não precisa se preocupar. Um dia a sua broxada chegará. Implacável, irremediável, inacreditável. Mais cedo ou mais tarde. É melhor que seja mais tarde. Aí dá até pra usar aquela desculpa da idade etc. e tal. Mas é isso. Desencane. Perder o tesão na hora em que você mais precisa dele pode acontecer com qualquer um. Homens e mulheres. É claro que a broxada não é uma “prerrogativa” meramente masculina. Mulheres também broxam, mesmo sem ter um pênis. Nós, seres humanos, somos criaturas hipersensíveis, muito vulneráveis a influências de fatores físicos e psicológicos.

domingo, 11 de novembro de 2012

Amadores

Por João Paulo da Silva

Aconteceu um dia desses em Mossoró, no interior do Rio Grande do Norte. Eu tinha viajado a trabalho, como de costume. Talvez você não saiba, mas sou jornalista, embora isso não queira dizer muita coisa. Bom, era noite. E eu tinha acabado de fechar algumas matérias para o jornal. Estava cansado. Precisava relaxar. Foi aí que resolvi dar um pulo no bar da esquina pra tomar uma cerveja e arejar um pouco as ideias. Mas não pretendia demorar muito. Afinal, queria voltar a tempo para ver a minha novela das nove. Por isso, pedi apenas uma gelada e um pequeno aperitivo. Iscas de peixe. Adoro iscas de peixe, ainda mais com um limãozinho por cima. Enfim, eu estava querendo aliviar as tensões. Ficar tranquilo. Nada de estresse. Mas a vida é dura e às vezes o pastel vem estragado.

domingo, 2 de setembro de 2012

Sem saúde

Por João Paulo da Silva

Se você não é o Eike Batista, não é dono de banco, não acertou na loteria, vive de salário (principalmente se for o mínimo), é pobre ou está desempregado, então seja bem-vindo ao clube. Você e eu fazemos parte de um “seleto” grupo de milhões de brasileiros que não têm acesso aos serviços mais básicos para qualquer ser humano. Assim como numerosos outros companheiros, você e eu não temos direito a uma boa alimentação, a boas roupas, boa moradia, boa educação, boa saúde e um imenso etc., tão longo quanto a Muralha da China.

domingo, 29 de julho de 2012

A verdadeira história de Chapeuzinho Vermelho

Por João Paulo da Silva

Machista declarado, talvez até incorrigível, o Gilmar é o tipo de sujeito que não perde a chance de soltar uma piadinha infame. Pode perder tudo. Os amigos, a namorada, a vergonha na cara, o respeito. Só não perde a piada. Por pior que seja. E parece que a situação ficou ainda mais absurda depois que o Gilmar descobriu um livro que conta as autênticas origens dos contos de fadas. Falando assim, ninguém acredita. Mas, segundo o Gilmar, as histórias da carochinha são, na verdade, tramas fantásticas que envolvem traição, sexo e violência.

domingo, 22 de julho de 2012

Confissões

Por João Paulo da Silva

Fui criado sob a égide do catolicismo. É claro que meus pais não perguntaram se eu gostaria de ser católico. E nem poderiam. Na época eu ainda nem falava. E mesmo que falasse não seria ouvido. Já cheguei até a imaginar a cena. Minha mãe perguntaria:
- O bebê da mamãe vai ser católico, não vai?

E eu, com poucos meses de vida, responderia:
- Nada disso! Sou um ateu convicto! Deus não existe.

domingo, 13 de maio de 2012

Que vexame, meu Deus!

Por João Paulo da Silva

Um amigo até me falou que era bobagem. Machismo da minha parte e coisa e tal. Eu até concordo. Mas é que... sei lá. Ficou um clima chato, sabe? Maior constrangimento, pô! Fiquei todo sem jeito na hora.

Eu tinha ido ao urologista. O motivo? É melhor poupá-los dos detalhes. Posso dizer apenas que o problema se tratava de uma dor que eu estava sentindo numa região estratégica. Mas a situação era dura, confesso. Sem trocadilhos maldosos, por favor.

O certo mesmo é que fui tomado pelo nervosismo. Me angustiava só de pensar no que o médico poderia dizer. Uma porção de hipóteses passava pela minha cabeça medieval.
- Hum...
- É grave, doutor?
- Grave?! Gravíssimo, meu caro!
- Ai, meu Deus do céu! O que é que eu tenho?!
- Você faz sexo regularmente?
- Regularmente? Bom, até as 20 horas funciono regularmente. Depois... já não garanto.
- Hum...
- O que foi?
- Vamos ter que amputar.
- O quê?! Amputar?! Mas por quê?!
- Por falta de uso.

domingo, 6 de maio de 2012

O padeiro

Por João Paulo da Silva

Quando chegou em casa, a mulher o recebeu com um beijo e uma notícia:
- Querido, estou grávida!
- O quê?!
- Isso mesmo! Estou esperando um filho.
- Mas que maravilha! Isso é ótimo, meu amor!

Emílio sempre foi um sujeito trabalhador, o melhor funcionário da repartição. Rita, sua esposa, trabalhava em casa e era uma mulher de beleza notória, extremamente atraente. O casal vivia um momento mágico. Seus rostos esbanjavam contentamento. A chegada de um filho abriria uma nova etapa em suas vidas. Emílio não queria perder tempo e tratou logo de contar a novidade para os amigos do trabalho.
- Sabem da nova? Vou ser papai!

domingo, 4 de março de 2012

As maiores lições da vida

Por João Paulo da Silva

Ao contrário do que muitas pessoas podem achar, as grandes lições da vida não são aprendidas nos bancos das escolas ou das universidades. Aquilo que muitas vezes é imponderável, que nos decifra intimamente e nos ensina a viver, não está nos livros de física, química ou biologia. Não estou menosprezando o conhecimento acumulado pela humanidade. Longe de mim! Que Marx me livre de dizer um absurdo desses. Conhecimento é fundamental para entender o mundo e o que há nele. Mas não é disso que estou falando.

A ciência pode explicar a razão de estarmos aqui, como o universo funciona, por que os animais evoluem e o que havia no planeta antes de nós nos tornarmos a espécie dominante. A ciência pode esclarecer quase tudo, e o que ainda não foi esclarecido é só uma questão de tempo. Entretanto, as grandes lições da vida não são ensinadas dentro das salas de aula. É nas ruas que elas são aprendidas. Nos pontos de ônibus, nas mesas de bar, nas praças, na padaria da esquina. A rua é a maior escola para as maiores lições.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

O charlatão

Por João Paulo da Silva

Tenho uma admiração especial pela charlatanice. Calma. Não me interpretem mal. É a técnica que me atrai. Uma espécie de teoria popular do fingimento, da artimanha. Quando bem dominada e desenvolvida, a charlatanice é capaz, inclusive, de produzir um certo glamour. Dependendo, claro, de quem a emprega. Acho até – de verdade mesmo – que ela deveria ser considerada uma arte. Não deve ser nada fácil dominar o método da enganação. O sujeito precisa ter desenvoltura, ser escorregadio, habilidoso e saber a hora exata de fingir. É uma atividade que exige muito sangue frio. Além disso, um bom charlatão deve passar confiança. A charlatanice não é para qualquer um.

domingo, 22 de janeiro de 2012

O primeiro beijo

Por João Paulo da Silva

Eu devia ter uns oito anos, acho. Na rua em que eu morava havia uma garota linda. A casa dela ficava umas duas ou três depois da minha. Eu gostava de tudo nela. Do cabelo, dos olhos, do jeito de andar, da boca. Ah, a boca. Meu Deus, que boca! Ok. Tudo bem. Eu sei que era só uma paixonite de criança, daquelas que todo mundo tem na infância. Mas a verdade é que essas coisas costumam deixar estragos na vida da gente se não forem concretizadas. Eu sonhava em beijar aquela garota. Seria meu primeiro beijo e minha chance de começar em grande estilo.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Ideia para uma história de Natal

Por João Paulo da Silva

É noite. E Papai Noel viaja em seu trenó da Lapônia até o Brasil, puxado por suas renas. Pousa com segurança no telhado de uma casa e, cuidadosamente, entra pela janela. Uma vez dentro, dá de cara com o Robertinho e a Jandira.
- Papai Noel! Você veio de verdade. – falam as crianças magricelas.
- Pois é, garotada. Mas não posso demorar muito. Agora deixa eu ver aqui o que foi que vocês me pediram.


domingo, 13 de novembro de 2011

Coçadinha

Por João Paulo da Silva

Quando temos febre, é sinal de que as coisas não andam muito bem. Podemos estar doentes. Há em nossa sociedade uma febre. Você já deve ter notado (se ainda não notou é porque é um tapado!) que somos vigiados em todos os lugares. As câmeras estão por toda parte. Quer dizer, por quase toda parte. O banheiro ainda é a última trincheira da privacidade. Mas o fato é que tem sempre alguém bisbilhotando a gente através das lentes das câmeras. Aquela história de que estão nos filmando para a nossa própria segurança é pior do que conto da carochinha. A única segurança que importa não é a nossa, é a das mercadorias que não podem ser roubadas. Nossa sociedade aprofundou de tal forma a desigualdade entre os homens que precisa vigiar a si mesma, em praticamente todas as situações. Este é apenas um dos sinais de nossa doença, os outros são ainda mais cruéis.

domingo, 6 de novembro de 2011

Profissão

Por João Paulo da Silva

- O que o filhinho do papai vai ser quando crescer?

Praticamente todas as crianças escutaram ou escutam essa pergunta de seus pais. O problema é que não se trata de uma mera pergunta. É um pacote completo. Já vem até com a respo
sta. Parece haver uma vontade tácita em alguns pais de se verem realizados nos próprios filhos. Desejam que seus filhos tenham a vida profissional que eles não tiveram. E nisso consiste parte de nossas frustrações.