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domingo, 9 de fevereiro de 2014

Paciência

Por João Paulo da Silva

Na porta do banheiro, o pai tenta convencer o filho de dois anos a tomar banho.

- Vamos, filho. Hora de ir pro chuveiro.
- Não, papai. Não quero.
- Mas tem que ir, filho.
- Por quê?
- Porque você está sujo.
- Por quê?
- Porque está suado.
- Por quê?
- Porque você estava correndo, brincando na rua...
- Por quê?
- Ai, meu Deus... Filho, vai pro chuveiro.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Explicações...

Por João Paulo da Silva

- E agora no nosso programa “Alô, Seu Otário!” a gente conversa ao vivo com o prefeito Armando Cilada. Ele vai falar um pouco sobre as providências que estão sendo tomadas pela Prefeitura para resolver os principais problemas da cidade. Boa tarde, prefeito. Muito obrigado por aceitar nosso convite para dar alguns esclarecimentos à população.
- Boa tarde a você, Rogenildo, e a todos os telespectadores do seu programa. Eu é que agradeço o espaço para mostrar o trabalho que estamos desenvolvendo.
(...)

domingo, 2 de junho de 2013

Pobre Yurinho

Por João Paulo da Silva

Quando era criança, lá pelos doze anos, eu costumava jogar bola com meu irmão no terraço da nossa casa. Ficávamos horas brincando de chute ao gol. Como não tínhamos autorização para jogar na rua, aquela acabava sendo a nossa diversão. Mas a gente até que gostava. Só não gostávamos mesmo era do Yurinho, o vizinho da frente. Ô moleque chato.

Ele sempre aparecia no portão lá de casa, pedindo pra jogar com a gente. Ficava um tempão implorando e enchendo o saco. Foram poucas as vezes em que permitimos. Eu e meu irmão tínhamos um motivo para não deixá-lo jogar. Qualquer coisinha o Yurinho chorava. Se levava um frango, chorava. Se perdia um pênalti, chorava. Se tomava uma bolada mais forte, chorava. E o pior: saía correndo e gritando que a gente tinha batido nele. Quer dizer, além de frouxo, o Yurinho também era mau-caráter.

domingo, 24 de março de 2013

Coisas do sexo

Por João Paulo da Silva

Tem um versinho cômico do Luis Fernando Veríssimo que diz: “O homem não é o único animal que faz sexo, mas é o único que precisa de manual de instrução.”. Essa é uma daquelas verdades incômodas. Daquelas que nos deixam um pouco envergonhados enquanto espécie. Ninguém precisa, por exemplo, dizer a um leão ou a um macaco como é que se faz a “coisa”. O bicho vai lá e faz, instintivamente. Não pergunta aos amigos, não consulta o Kama Sutra, nem pesquisa na internet. Com a gente é mais complicado. Tem que aprender todos os dias. Do contrário, não faz bem feito. É a incessante busca pelo know-how. É isso.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Feliz ano novo!

Por João Paulo da Silva

Na beira do mar, o Roberval segurava sua tacinha de plástico cheia de vinho espumante barato. Vestido de branco, assim como milhares de tantas outras pessoas, ele aguardava eufórico a queima de fogos e a chegada do ano novo. No peito, aquele velho e conhecido sentimento: “Porra, o próximo ano tem que ser melhor, né?! Esse foi de lascar.”. 

E o Roberval tinha razão. O ano não fora nada bom. Cheio de corrupção, desastres naturais, demissões, mortes. Uma enxurrada de tragédias individuais e coletivas, muitas das quais ele mesmo começou a recordar naquele momento, enquanto esperava o início da contagem regressiva.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Broxadas 3

Por João Paulo da Silva

Isso nunca me aconteceu antes.”. Mentira. Já aconteceu, sim. É o clichê de todo broxa. Todo homem que costuma broxar diz essa frase quando falha. É como se ele quisesse se redimir do próprio fracasso apelando para a indulgência tácita do primeiro erro. Mas o que o broxa ignora é a perspicácia da mulher. A mulher odeia desonestidade. Ela sente o cheiro da mentira no ar. Talvez não exista nada mais broxante para uma mulher do que um homem mentiroso. Ela quer cumplicidade, e não um contador de vantagem. Por isso, meu amigo, se broxou, fale a verdade. É melhor abrir o jogo. Dizer que ficou ansioso; que ela é muito linda; que você esperou tanto por aquele momento e que acabou ficando um pouco tenso. Ela vai entender. Mulheres são compreensivas com a verdade. Posso até apostar que ela irá procurar fazer você relaxar, vai afagar seus cabelos, chamar você de fofo e sussurrar pequenas safadezas no seu ouvido, até a dita (dura) comparecer.

domingo, 25 de novembro de 2012

Broxadas 2

Por João Paulo da Silva

Quase todo mundo já broxou. E quem ainda não broxou não precisa se preocupar. Um dia a sua broxada chegará. Implacável, irremediável, inacreditável. Mais cedo ou mais tarde. É melhor que seja mais tarde. Aí dá até pra usar aquela desculpa da idade etc. e tal. Mas é isso. Desencane. Perder o tesão na hora em que você mais precisa dele pode acontecer com qualquer um. Homens e mulheres. É claro que a broxada não é uma “prerrogativa” meramente masculina. Mulheres também broxam, mesmo sem ter um pênis. Nós, seres humanos, somos criaturas hipersensíveis, muito vulneráveis a influências de fatores físicos e psicológicos.

domingo, 4 de novembro de 2012

“Conversas” com Deus...

Por João Paulo da Silva

Reclamam do meu ateísmo. Sem razão. Ninguém pode me acusar de não ter tentado falar com Deus. Durante muito tempo, busquei manter algum tipo de comunicação. Insisti dia e noite. Nunca houve resposta. Nem mesmo um sinal de fumaça. Ou até, quem sabe, uma imagem no fundo da xícara de café. Se existisse, ele mesmo seria testemunha do meu esforço para encontrar um canal. Bom, de todo modo, transcrevo agora alguns dos momentos em que tentei estabelecer uma conversa com Deus. Em vão. E olha que eu aceitaria um retorno ainda que fosse da assessoria, hein!

domingo, 14 de outubro de 2012

As lamúrias de um careca

Por João Paulo da Silva

Diante do espelho, observo com dolorosa tristeza a enorme vaga que a calvície deixou em meu cocuruto. É de dilacerar o coração, confesso. Constatar que esta minha superfície nua já fora em outros tempos uma área de vasta cabeleira é realmente pavoroso. Perder os cabelos é como ser desmembrado, quase como perder um órgão vital. Não creio que esteja cometendo exageros. Os que sofrem do mesmo infortúnio sabem do que estou falando. Ficar careca é angustiante!

domingo, 2 de setembro de 2012

Sem saúde

Por João Paulo da Silva

Se você não é o Eike Batista, não é dono de banco, não acertou na loteria, vive de salário (principalmente se for o mínimo), é pobre ou está desempregado, então seja bem-vindo ao clube. Você e eu fazemos parte de um “seleto” grupo de milhões de brasileiros que não têm acesso aos serviços mais básicos para qualquer ser humano. Assim como numerosos outros companheiros, você e eu não temos direito a uma boa alimentação, a boas roupas, boa moradia, boa educação, boa saúde e um imenso etc., tão longo quanto a Muralha da China.

domingo, 19 de agosto de 2012

Os símbolos da decadência

Por João Paulo da Silva

A propaganda eleitoral gratuita na TV me diverte e desespera ao mesmo tempo, embora me pareça que quando a inventaram a função não fosse exatamente a de garantir entretenimento ou desânimo para milhões de brasileiros. Há algo de errado nisso tudo, eu sei. Quer dizer, algo não. Tudo mesmo. Da política econômica à falsa democracia. Mas não se pode negar que muitos candidatos estão mais para personagens folclóricos do que para postulantes a um cargo público. Parte da disputa eleitoral oscila entre o cômico e o absurdo, numa caricatura teatral da decadência.

domingo, 12 de agosto de 2012

Dia do “papá...”

Por João Paulo da Silva

Aos 27 anos, meu primeiro dia dos pais... como papai, é claro. Até dizem que já tenho cara de pai. Aliás, cara e corpo de pai. Há quem afirme que eu dei uma engordada e que estou caminhando para o cultivo daquela barriguinha saliente, presente na vida de todo pai que se preze (ou se despreze). Mas isso não passa de futrica alheia. Ainda não estou nestas condições, muito embora a calvície, que também é uma aflição paterna, já avance as fronteiras do aceitável. Minha aparência não me incomoda, da mesma forma que não me incomodaria se eu fosse um pai parecido com o Hugh Jackman. Fisicamente falando. A verdade, porém, é que a chegada do pequeno João Gabriel mudou para sempre os meus dias. Agora, além de comemorar o dia dos pais do lado daqueles que ganham presentes, também sou acordado todas as manhãs ao som das sílabas mais bonitas da língua portuguesa. Cinco e tanta da madrugada, vem a voz do berço me chamar: “papá, papá...”. Ser pai é viver em completo estado de abestalhamento.

domingo, 22 de julho de 2012

Confissões

Por João Paulo da Silva

Fui criado sob a égide do catolicismo. É claro que meus pais não perguntaram se eu gostaria de ser católico. E nem poderiam. Na época eu ainda nem falava. E mesmo que falasse não seria ouvido. Já cheguei até a imaginar a cena. Minha mãe perguntaria:
- O bebê da mamãe vai ser católico, não vai?

E eu, com poucos meses de vida, responderia:
- Nada disso! Sou um ateu convicto! Deus não existe.

domingo, 15 de julho de 2012

A perda da inocência

Por João Paulo da Silva

Vou usar um clichê. A vida é uma enorme travessia. E pelo caminho vamos perdendo uma penca de coisas importantes. Tudo bem. Eu sei. Já está manjado. Mas é que eu sempre quis dizer isso num texto. Tem a ver com uma espécie de magia que a frase exerce sobre mim. Não sei. Gosto da metáfora. É isso. É a metáfora.

domingo, 8 de julho de 2012

Fair play, brother!

Por João Paulo da Silva

Há situações na vida que possuem propriedades interessantíssimas. Encruzilhadas cotidianas em que as pessoas acabam por demonstrar quem realmente são. Na cama, ao volante, na prática política... São todas ocasiões de grande revelação. Outro dia, porém, soube de uma situação que talvez seja a mais reveladora de todas. O assalto! Eis o instante em que a moral burguesa é ofendida. Eis o encontro do capitalismo com seu Frankenstein. O criador e a criatura. Cara a cara! O assalto oscila entre a celebração do ridículo e o extremismo da barbárie. Pelo menos em alguns casos.

domingo, 24 de junho de 2012

O ronco

Por João Paulo da Silva

Chamar o ronco do Osvaldo de ronco era eufemismo. Ronco é o ruído que você e eu fazemos dormindo. Não era o caso do Osvaldo. O dele estava mais para aquele barulho que motor de caminhão velho faz. Não, minto. Era pior. Sabe o som que vem de dentro das cavernas nos filmes de dragão? Pronto. Algo semelhante. Uma coisa horrorosa. De tão alto, ouvia-se até do lado de fora da casa. Dava a impressão de que iria derrubar as paredes. Com exceção da dona Margarida, casada com o Osvaldo há 40 anos, ninguém agüentava o ronco estrondoso. Os filhos, assim que puderam, casaram e saíram de casa. Dona Margarida não tinha essa opção. Quer dizer, até tinha, porém o amor foi maior do que o ronco. Por mais incrível que isso possa parecer nos dias de hoje. De certa forma, a esposa acabou se acostumando com a sinfonia apocalíptica do marido. A resignação, evidentemente, veio com o tempo, como quase tudo na vida. Os anos se encarregaram de tornar habitual a poluição sonora do Osvaldo. Chegou uma época, inclusive, em que dona Margarida era capaz de acordar com uma buzina na rua, mas não mais com os rugidos do marido. E ainda há gente que diz que a rotina não tem seu lado bom...

domingo, 10 de junho de 2012

10 coisas para fazer antes do fim

Por João Paulo da Silva

Todo mundo vai morrer um dia, independente da forma. Tiro, facada, acidente, infarto, câncer, atropelamento, queda de avião, intoxicação alimentar ou mesmo falência múltipla de órgãos, que é bem mais chique. Se o sistema público de saúde funcionasse direito, é verdade que não morreriam tantas pessoas como morrem atualmente, com certeza não bateriam as botas por falta de assistência médica. Mas ainda assim elas morreriam, porque morrer é o curso natural da vida, pelo menos por enquanto. Obviamente, não descarto outras possibilidades para o nosso fim, como a destruição completa do planeta, seja por uma guerra nuclear, invasão alienígena, impacto de um meteoro gigante ou a continuidade do capitalismo. Esta última, inclusive, sendo a hipótese mais provável, caso os trabalhadores não consigam fazer o mundo mudar de sistema. Bom, o certo é que vamos virar poeira em algum momento. Pode ser amanhã ou daqui a bilhões de anos. Sem dúvida, a segunda opção é melhor.

domingo, 27 de maio de 2012

O pesadelo

Por João Paulo da Silva

Numa noite dessas, tive um pesadelo terrível. Muito pior do que a derrota do Brasil para o Uruguai na final da Copa de 1950, em pleno Maracanã. Mais absurdo do que ver o Flamengo perder um campeonato carioca diante do Vasco. Mais torturante do que ser obrigado a comer quiabo e maxixe todos os dias. Não, não, não. Estou sendo generoso demais. Isso é muito pouco. Tive um sonho tão bizarro quanto saber que alguém pagou US$ 18 mil por uma calcinha da rainha da Inglaterra, aquela velhota que não faz outra coisa a não ser comer e bufar. Um sonho mais desesperador do que nadar à noite com tubarões em mar aberto ou ser perseguido pelo Freddy Krueger. Pensando bem, acho que não há precedentes piores para o meu mais recente pesadelo. Nele, eu chego em casa do trabalho e encontro meu filho, já com uns sete anos, às voltas com um brinquedo que não foi dado por mim, nem pela mãe ou por qualquer outro parente. Intrigado, eu digo: “Oi, filho. Brinquedo novo, é? Quem te deu?”. Ao que ele me responde sem constrangimento: “Foi o Carlinhos Cachoeira, papai.”. Nesse instante, eu acordo assustado e lavado de suor, desejando do fundo do coração estar no meio do Maracanã, nadando com tubarões vascaínos que não comem maxixe e ainda com a rainha da Inglaterra pendurada no meu pescoço, só de calcinha, chamando pelo Freddy Krueger.

domingo, 20 de maio de 2012

O casamento

Por João Paulo da Silva

Por que é mesmo que os casamentos acabam, hein? Uma amiga minha costuma dizer que o casamento é uma instituição social falida. Não sei. Talvez até seja mesmo. Mas imagino que ela esteja se referindo àquela tradicional e conservadora forma de casamento, surgida de uma das costelas da propriedade privada, lá nos primórdios da humanidade. Um tipo de matrimônio que previa a união entre um homem e uma mulher com o objetivo principal de garantir um herdeiro ao marido para que este não perdesse suas propriedades para o vizinho. No fim das contas, uma espécie de negócio. Vale lembrar, ainda, que essa era a única razão para que as mulheres fossem obrigadas a casar virgens (algo hoje bem mais fraco, é verdade). A história de manter a pureza do corpo até as núpcias e todo o blábláblá as religiões idealizaram depois. A exigência da virgindade era só para que o homem tivesse a certeza de que ao menos o primeiro filho seria seu. Quer dizer, quando inventaram a propriedade privada e o casamento monogâmico (este só para a mulher, é claro), inventaram também, de quebra, o machismo. Bom, mas a julgar pelo positivo avanço das atuais formas de união, inclusive homossexuais, talvez seja aquele casório démodé que tenha se tornado, sim, uma instituição social falida e com os dias contados.

domingo, 13 de maio de 2012

Que vexame, meu Deus!

Por João Paulo da Silva

Um amigo até me falou que era bobagem. Machismo da minha parte e coisa e tal. Eu até concordo. Mas é que... sei lá. Ficou um clima chato, sabe? Maior constrangimento, pô! Fiquei todo sem jeito na hora.

Eu tinha ido ao urologista. O motivo? É melhor poupá-los dos detalhes. Posso dizer apenas que o problema se tratava de uma dor que eu estava sentindo numa região estratégica. Mas a situação era dura, confesso. Sem trocadilhos maldosos, por favor.

O certo mesmo é que fui tomado pelo nervosismo. Me angustiava só de pensar no que o médico poderia dizer. Uma porção de hipóteses passava pela minha cabeça medieval.
- Hum...
- É grave, doutor?
- Grave?! Gravíssimo, meu caro!
- Ai, meu Deus do céu! O que é que eu tenho?!
- Você faz sexo regularmente?
- Regularmente? Bom, até as 20 horas funciono regularmente. Depois... já não garanto.
- Hum...
- O que foi?
- Vamos ter que amputar.
- O quê?! Amputar?! Mas por quê?!
- Por falta de uso.