domingo, 12 de agosto de 2012

Dia do “papá...”

Por João Paulo da Silva

Aos 27 anos, meu primeiro dia dos pais... como papai, é claro. Até dizem que já tenho cara de pai. Aliás, cara e corpo de pai. Há quem afirme que eu dei uma engordada e que estou caminhando para o cultivo daquela barriguinha saliente, presente na vida de todo pai que se preze (ou se despreze). Mas isso não passa de futrica alheia. Ainda não estou nestas condições, muito embora a calvície, que também é uma aflição paterna, já avance as fronteiras do aceitável. Minha aparência não me incomoda, da mesma forma que não me incomodaria se eu fosse um pai parecido com o Hugh Jackman. Fisicamente falando. A verdade, porém, é que a chegada do pequeno João Gabriel mudou para sempre os meus dias. Agora, além de comemorar o dia dos pais do lado daqueles que ganham presentes, também sou acordado todas as manhãs ao som das sílabas mais bonitas da língua portuguesa. Cinco e tanta da madrugada, vem a voz do berço me chamar: “papá, papá...”. Ser pai é viver em completo estado de abestalhamento.

As comemorações do meu primeiro dia dos pais me renderam boas lembranças, lindos presentes e uma terrível fadiga muscular. No sábado, a creche do meu filho fez uma confraternização entre os pais das crianças, com direito a café da manhã natureba e partida de futebol. Meu time venceu por sete a zero. Eu mesmo não marquei nenhum gol, mas dei vários passes precisos com minha perigosa perna esquerda. Joguei no meio campo, que é o lugar dos craques. Meu cérebro privilegiado abriu caminho para a vitória. Modestamente, claro. Mas tudo isso só foi possível porque, por baixo da camisa do time, eu vestia o manto rubro-negro do Mengão.

No mais, foi um jogo tranqüilo. Houve apenas um momento em que a festa quase terminou mal. Como joguei sem os óculos, tive certa dificuldade para distinguir a bola da barriga dos adversários. Num lance confuso, acabei chutando a pança do zagueiro do outro time, que estava caído no chão após receber um drible desconcertante. Se eu não tivesse argumentado que era míope, tinha dado rolo. Sabe como é que é, né?! Não pega bem bater em deficiente físico. Foram só quarenta minutos de bola rolando. O fim do jogo precisou ser antecipado, sob risco de haver um infarto coletivo. Entretanto, considerando o grau de conservação dos outros pais, posso até dizer que estou no nível de um atleta de triátlon.

Ao final da brincadeira, recebi o presente do meu filhote João Gabriel. Uma tela amarela com a impressão da mão dele em azul. É verdade que estava um pouco borrada, parecendo mais a patinha de um pato com mal de Parkinson. A professora explicou que ele ficava abrindo e fechando a mãozinha, lambuzando tudo. Mas eu compreendi totalmente a situação. Há em meu filho um artista impressionista em formação. As pessoas ainda não percebem, obviamente. Mas ser pai é isso. É ver mais do que os outros podem ver.

Parabéns aos papais trabalhadores, que se sacrificam para que os filhos sejam melhores do que os próprios pais. Parabéns para as mamães que também são papais. E parabéns, em especial, ao meu papai, que me deu o primeiro livro que li na vida. Feliz dia do “papá...”.

E que essa fadiga muscular passe logo...

3 comentários:

pedro disse...

Muito bonito, cabeça. JG vai te dar tantos motivos pra sorrir e ficar em estado de "abestalhamento"! O nosso pequeno é a alegria de todo mundo.
Parabéns!

Rafael Belo disse...

parabéns papá pelo voyeurismo cotidiano do qual também "sofro". Boas palavras em sua corrente. Voltarei mais vezes, espero voltar a escrever claramente novamente rsrs

Micaela disse...

'Ser pai é viver em completo estado de abestalhamento.'

que lindo, Jão.
essas coisas sinceras acabam com a moral de quem lê e até deixa escapar uma emoçãozinha mais aflorada!

feliz dia do papá, todo dia!