terça-feira, 6 de abril de 2010

Aquele estranho bilhão que nunca chega

Por João Paulo da Silva

Em março, a revista americana Forbes divulgou a sua tradicional lista anual de bilionários, aquela minoria absurda da qual você e eu nunca faremos parte. O Brasil, graças ao empenho e à política econômica do presidente Lula, possui o maior número de ricaços da América Latina. São 18 brasileiros com fortunas acima de US$ 1 bilhão, reinando absolutos sobre quase 190 milhões de homens e mulheres comuns, cheios de dívidas e contas atrasadas.

Segundo a revista, o brasileiro mais rico é o empresário Eike Batista, que acumula uma bobagem monetária de US$ 27 bilhões. E o mais absurdo: em apenas um ano, o patrimônio de Batista aumentou US$ 19,5 bilhões. Nem nos melhores sonhos os trabalhadores brasileiros imaginaram seus salários subindo nessa proporção. O povo deve agradecer a Lula pelos R$ 510 do salário mínimo e pelos R$ 120 do Bolsa Família. Enquanto isso, Batista também agradece ao presidente, só que pelos bilhões. Nunca antes na história desse país a distribuição de renda foi tão bem feita.

A lista da Forbes aponta, ainda, o mexicano Carlos Slim, do ramo das telecomunicações, como o homem mais rico do mundo, com uma fortuna estimada em US$ 53,5 bilhões. Agora, o detalhe mais importante dessa festa toda. Dos quase sete bilhões de habitantes do planeta, apenas 1.011 concentram uma riqueza bilionária. Destes, somente os dez mais ricos possuem juntos a bagatela de US$ 342 bilhões. Quer dizer, ou aquela história de que o capitalismo dá oportunidades iguais a todos é conversa pra boi dormir ou o mundo está repleto de incompetentes que não sabem aproveitar as chances da vida. Fico com a primeira opção. De uma forma ou de outra, você e eu continuamos contemplando aquele estranho bilhão que nunca chega.

Obviamente que estas cifras estratosféricas não surgiram do nada. Alguém precisou gerar toda essa riqueza. E, claro, quem a gerou sequer foi convidado a tirar uma lasquinha, visto que nunca tivemos tantos famintos, desempregados e mal pagos como hoje. Se você ainda não sacou quem criou toda essa riqueza da qual estou falando, vou dar uma dica: vivem de salários e são a maioria da população.

Quando eu era mais jovem, me disseram que enriquecer licitamente sob o capitalismo era impossível. Agora entendo o porquê.

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Obs.: Em decorrência do excesso de ovos de Páscoa, este cronista só pode postar sua crônica hoje, e não no domingo como de costume.

3 comentários:

Anderson Santos disse...

Enquanto isso, eu estive pensado semanas passadas que, através de rápidos cálculos, eu penarei para terminar minha vida e juntar ao longo de todos os anos meio milhão - o bruto, não algo que acumularei.

E isso pq eu levei em consideração o salário atual de jornalista, com algum acréscimo, que chega a mais de três salários mínimos - isso em AL pq na Paraíba é pouco mais de dois.

Albuq disse...

Oi João!

Estava lendo o teu post e fazendo uma ponte com um livro que estou lendo na faculdade (Os bestializados). O livro fala do período de 1889 prá frente, período republicano no Brasil. E nele podemos ver esse Brasil de hoje, de roubos, de fraudes, de desigualdades numa cara mais antiga... e me dizem que historiador deve ser otimista, mas, confesso que a caminho de me formar uma ainda não consigo ser tão otimista assim com essas coisas.

São anos, décadas e séculos de desigualdade e injustiça. Essa questão do bilhão é como uma bola de neve, quem tem vai continuar tendo sempre mais. A gente não sabe nem o que é ter tanto dinheiro. E quando as pessoas trabalham para ter alguma coisa honestamente ainda fico calada, e os governantes? e os nossos representantes de cidade, bairro, país? quanto ganha prá nos representar e não fazem nada?
Isso sim me deixa indignada!

Amei o post, adorei o texto! Leitura ótima!

bjs

Marco disse...

Errado. São os pagadores de impostos que aumentam a receita destes safados. Não dá para negar que com os impostos incluídos em todos os produtos é a mesma coisa da inflação antiga, no fim das contas o assalariado paga. O pior é que além de pagar não cobra o que lhe é devido, vive olhando o tubo mágico, gozando na vida dos outros, chorando lágrimas mandadas. A maior sem vergonhice é o imposto. O empreendedor morre antes de nascer e virá biscate. Comparar um vendedor de capa de celular com uma empresa de telefonia e chamar a ambos de empresários é ruidade e de uma nojeira sem tamanho. A maior dificuldade de entender um texto para o brasileiro é quando o amontoado de letras passa de 20 toques, ele se mela. O burro animal já basta por sensibilidade, mas o burro homem, vegeta culturalmente dança o reboleixo, melecoleixo, dadoraboleixo e sei lá mais o que vier no aparelho de som das casas bahias. Fui