Por João Paulo da Silva

A maioria de vocês provavelmente não vai acreditar. Mas eu trocava emails com o Moacyr. Depois que o conheci pessoalmente, numa palestra sobre Graciliano Ramos, passei a ter uma admiração maior por sua obra. A simpatia e o humanismo de sua literatura eram facilmente reconhecidos em seu trato com as pessoas. Sempre atencioso como um bom médico, recebia os fãs sem aquela empáfia comum aos escritores consagrados e arrogantes. As respostas aos meus emails estão cheias da generosidade e da humildade do Scliar. Algumas delas tratam de felicitações pelo Jabuti que ele ganhou em 2009 e de opiniões sobre as minhas crônicas. Guardo com carinho especial duas mensagens que recebi do Moacyr.
A primeira veio em resposta a uma crônica que enviei a ele sobre o dia em que o conheci. Diz o seguinte: “Meu caro João Paulo, obrigado pela mensagem e sobretudo pela crônica, que me encantou e me emocionou, tanto por seu ótimo estilo como pela homenagem - melhor que o prêmio Nobel! Aceite os parabéns e o abraço deste seu fã, Moacyr Scliar.”. A segunda mensagem foi uma opinião que ele deu sobre outra crônica. “João Paulo, obrigado pelo e-mail e pela crônica - excelente, belíssimo texto! Receba os parabéns e o abraço do Moacyr Scliar.”.
Provavelmente, o Moacyr abusou da simpatia nas respostas. Mas para um fã isso não faz a menor diferença. Meus textos sempre foram muito influenciados por autores gaúchos, como Érico Veríssimo, Luis Fernando Veríssimo e o Moacyr Scliar. Eu os conheci nesta mesma ordem. De uma forma ou de outra, é como se a obra deles fizesse parte da minha história literária. O desfalque do Moacyr fará com que eu não tenha mais o mesmo prazer de antes ao abrir os jornais. Quer dizer, uma indelicadeza da parte dele.
Por isso, gostaria de fazer uma sincera proposta ao Sarney. Com o objetivo de atenuar os pecados que possui e realizar ao menos uma boa ação nesta existência, proponho que o presidente do Senado ofereça a própria vida em sacrifício para que o Moacyr Scliar retorne a este mundo. Já conversei com a bancada da Providência Divina e há acordo com a proposta. Inclusive, Deus argumentou que se o Sarney aceitar, ele pode até ficar no purgatório, ao invés de ir direto para o inferno. E aí, Sarney? É pegar ou largar. Lembre-se que você ainda pode sair no lucro.
6 comentários:
Excelente proposta. E parabéns pelas respostas que teve do Scliar. Seus textos são realmente muito bons.
Eu inda to de luto por ele... to arrasadadissima... tem uma dedicatória pra ele no meu tcc... era uma pessoa tão maravilhosa quanto os livros que escrevia
Confesso, sem vergonha, não conhecer a obra do Scliar. Mas as duas últimas crônicas me despertaram alguma curiosidade... e embora eu não seja mesmo fã de virar fã só porque alguém morre, vai pra minha lista de aquisições literárias... ah, e se precisar de assinatura em lista pro sarney aceitar, é só pedir! hehehe..
john, eu que ñ conhecia quase nd da obra do scliar (tenho apenas uma obra) tb fiquei tocada com a sua partida. Por isso mesmo, imagino como vc tá se sentindo. O texto denuncia um pouco.
Q lindeza o que ele falou pra tu, lindeza mesmo.
Bjos, preto.
Parece que estou vendo a cúpula celestial reunida para decidir a viabilidade de sua proposta. Um claro contraste visual.
Meus sentimentos João. Perder gente que a gente admira sempre é triste... Precisava ter me visto quando a Dercy morreu.
Fazia tempo que não passeava pelo seu blog. Os textos estão cada vez mais maduros, bem escritos e inspiradores. Vai em frente com as crônicas, João! Uma boa seleção das já escritas, aliás, já renderia um bom livro. Conte comigo se quiser aceitar a sugestão. Grande abraço!
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