domingo, 12 de maio de 2013

Superstições

Por João Paulo da Silva

A mãe do Rodrigo era supersticiosa, cheia dessas crendices populares que habitam o imaginário de muita gente. Aí já viu, né? Qualquer coisinha era motivo para um “Deus nos acuda”, literalmente. O pobre do garoto fora criado em meio a um mundo que parecia ser governado por forças ocultas e implacáveis. Era como se determinadas ações acarretassem, inexplicavelmente, consequências irremediáveis. “Pisar em rabo de gato atrai malefícios”, “deixar tesoura aberta por muito tempo dá azar”, “coruja que crocita em cima da casa, à noite, é sinal de morte na família”. Isso só para ficar em alguns exemplos. Mas a mãe do Rodrigo não mencionava apenas superstições ruins. Por vezes, quando o filho tinha soluços, ela aconselhava:
- Põe um palito de fósforo atrás da orelha que isso passa, menino!

domingo, 24 de março de 2013

Coisas do sexo

Por João Paulo da Silva

Tem um versinho cômico do Luis Fernando Veríssimo que diz: “O homem não é o único animal que faz sexo, mas é o único que precisa de manual de instrução.”. Essa é uma daquelas verdades incômodas. Daquelas que nos deixam um pouco envergonhados enquanto espécie. Ninguém precisa, por exemplo, dizer a um leão ou a um macaco como é que se faz a “coisa”. O bicho vai lá e faz, instintivamente. Não pergunta aos amigos, não consulta o Kama Sutra, nem pesquisa na internet. Com a gente é mais complicado. Tem que aprender todos os dias. Do contrário, não faz bem feito. É a incessante busca pelo know-how. É isso.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Feliz ano novo!

Por João Paulo da Silva

Na beira do mar, o Roberval segurava sua tacinha de plástico cheia de vinho espumante barato. Vestido de branco, assim como milhares de tantas outras pessoas, ele aguardava eufórico a queima de fogos e a chegada do ano novo. No peito, aquele velho e conhecido sentimento: “Porra, o próximo ano tem que ser melhor, né?! Esse foi de lascar.”. 

E o Roberval tinha razão. O ano não fora nada bom. Cheio de corrupção, desastres naturais, demissões, mortes. Uma enxurrada de tragédias individuais e coletivas, muitas das quais ele mesmo começou a recordar naquele momento, enquanto esperava o início da contagem regressiva.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Broxadas 3

Por João Paulo da Silva

Isso nunca me aconteceu antes.”. Mentira. Já aconteceu, sim. É o clichê de todo broxa. Todo homem que costuma broxar diz essa frase quando falha. É como se ele quisesse se redimir do próprio fracasso apelando para a indulgência tácita do primeiro erro. Mas o que o broxa ignora é a perspicácia da mulher. A mulher odeia desonestidade. Ela sente o cheiro da mentira no ar. Talvez não exista nada mais broxante para uma mulher do que um homem mentiroso. Ela quer cumplicidade, e não um contador de vantagem. Por isso, meu amigo, se broxou, fale a verdade. É melhor abrir o jogo. Dizer que ficou ansioso; que ela é muito linda; que você esperou tanto por aquele momento e que acabou ficando um pouco tenso. Ela vai entender. Mulheres são compreensivas com a verdade. Posso até apostar que ela irá procurar fazer você relaxar, vai afagar seus cabelos, chamar você de fofo e sussurrar pequenas safadezas no seu ouvido, até a dita (dura) comparecer.